Durante três semanas, a pequena ilha indonésia Gili Air foi a minha casa. Pela primeira vez, em quase quatro meses de viagem, esvaziei a mochila, coloquei roupa e sapatos nas gavetas, criei uma rotina e, em bom português, "assentei arraiais".
Aqui descansei dos últimos três meses intensos de viagem, comecei a preparar o regresso a casa e, pelo caminho, tornei-me uma "pessoa de Lombok", nas palavras do Ali.
Por estes dias, soube bem a familiaridade e carinho dos habitantes da ilha; tratar cada pessoa pelo nome e ser reconhecida como a 'Joana, de Portugal'; chegar a cada café ou restaurante e ouvir a pergunta: "É o habitual?". As orações das cinco da manhã, que ecoam a partir da mesquita por toda a ilha, deixaram de me acordar. Habituei-me aos barulhos que o gecko que vive no meu telhado faz. Conheço os atalhos para chegar a cada zona da ilha. Aprendi a fazer bijutaria local com artesãos. Vi plancton fluorescente e a Via Láctea com o Bombon. Ensinei português ao Ali, que me cumprimenta diariamente com um "Olá, bonita!".
Vi muitos viajantes chegar e partir. Fiz amigos. Tenho uma pequena família em Gili Air.
E porque se tornou tão confortável estar aqui, sinto que está na hora de partir. O próximo destino está mesmo à frente dos meus olhos enquanto escrevo estas palavras: o monte Rinjani, em Lombok. Quero escalar o vulcão de 3700m de altitude. Três dias e duas noites numa das montanhas mais bonitas da Ásia. Amanhã, é hora de esvaziar as gavetas, preparar a mochila, encher o peito e seguir viagem.
Tera makasi, Gili Air!














