sábado, 15 de março de 2014

Adeus, Gili Air!

Durante três semanas, a pequena ilha indonésia Gili Air foi a minha casa. Pela primeira vez, em quase quatro meses de viagem, esvaziei a mochila, coloquei roupa e sapatos nas gavetas, criei uma rotina e, em bom português, "assentei arraiais".
 
Aqui descansei dos últimos três meses intensos de viagem, comecei a preparar o regresso a casa e, pelo caminho, tornei-me uma "pessoa de Lombok", nas palavras do Ali. 
 
Por estes dias, soube bem a familiaridade e carinho dos habitantes da ilha; tratar cada pessoa pelo nome e ser reconhecida como a 'Joana, de Portugal'; chegar a cada café ou restaurante e ouvir a pergunta: "É o habitual?". As orações das cinco da manhã, que ecoam a partir da mesquita por toda a ilha, deixaram de me acordar. Habituei-me aos barulhos que o gecko que vive no meu telhado faz. Conheço os atalhos para chegar a cada zona da ilha. Aprendi a fazer bijutaria local com artesãos. Vi plancton fluorescente e a Via Láctea com o Bombon. Ensinei português ao Ali, que me cumprimenta diariamente com um "Olá, bonita!". 
  
Vi muitos viajantes chegar e partir. Fiz amigos. Tenho uma pequena família em Gili Air. 
E porque se tornou tão confortável estar aqui, sinto que está na hora de partir. O próximo destino está mesmo à frente dos meus olhos enquanto escrevo estas palavras: o monte Rinjani, em Lombok. Quero escalar o vulcão de 3700m de altitude. Três dias e duas noites numa das montanhas mais bonitas da Ásia. Amanhã, é hora de esvaziar as gavetas, preparar a mochila, encher o peito e seguir viagem.
 
Tera makasi, Gili Air!
















sábado, 22 de fevereiro de 2014

Life in Asia #3


Os passeios são para as bicicletas e motas. De qualquer forma, ninguém anda a pé distâncias superiores a um quilómetro.

Sidewalks are for bicycles and motorbikes. No one walks for more than one kilometer, anyway.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Hearts of the World #1

Hoje inauguro uma nova rubrica no blogue. O desafio é partilhar convosco as imagens de corações que tenho fotografado por onde passo. 

From now on, in "Hearts of the World" i will share with you pictures of hearts i have been collecting.


Jalan Sunset Road, Seminyak, Bali

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Joana, a Cupido de Hanoi

Estava sentada na mesa do café há várias horas. Entre o texto que estava a escrever no computador e o cappuccino que ia bebericando, não há exercício de análise de comportamento social mais rico do que este. 

O café situa-se em Hanoi, capital do Vietname, mas encontro os mesmos padrões em qualquer parte do mundo. Temos o jovem casal apaixonado, que divide uma fatia de bolo de cenoura, o grupo de amigos barulhento, o solitário que se faz acompanhar de um livro, as amigas de meia-idade que se encontram para um chá e os viajantes que trocam dicas de roteiros.

Mas um casal em particular chamou imediatamente a minha atenção quando entrou. Ele europeu, ela asiática, os dois lindos. Tenho esta mania de apreciar um casal como um todo. Simplesmente há pessoas que ficam bem juntas, cujo tipo de beleza se complementa e harmoniza.
Adiante, os dois sentaram-se perto de mim e, uma hora depois, ainda não tinham trocado uma palavra. Ele disfarçava o incómodo agarrado ao computador, olhando para ela de soslaio a cada cinco minutos. Ela, de costas voltadas para ele, estava frente a frente comigo. De vez em quando, via-a limpar disfarçadamente uma lágrima no canto do olho. Olhei para ela várias vezes, numa tentativa de conforto. Até que decidi sorrir abertamente. Ela, surpreendida, sorriu de volta mas com uma expressão ainda mais triste. Instintivamente, encolhi os ombros e lancei-lhe um olhar de cumplicidade feminina que tenho a certeza que ela compreendeu: “Vá lá, de certeza que o que ele fez é tão grave que não o podes perdoar?”. Ela sorriu-me, olhou para ele e ensaiou um sorriso. Ele disse alguma coisa e os dois levantaram-se e saíram do café de mãos dadas, presumo que para conversarem num local mais reservado.
Já lá fora, ela olhou novamente para mim, sorriu e disse adeus. Às vezes não é errado metermos o nariz onde não somos chamados, às vezes tudo o que alguém precisa é de um empurrão de uma desconhecida.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Life in Asia #1


Uma rua vazia pode transformar-se num mercado em menos de duas horas.

An empty street may become a massive market in less than two hours.