segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Joana, a Cupido de Hanoi

Estava sentada na mesa do café há várias horas. Entre o texto que estava a escrever no computador e o cappuccino que ia bebericando, não há exercício de análise de comportamento social mais rico do que este. 

O café situa-se em Hanoi, capital do Vietname, mas encontro os mesmos padrões em qualquer parte do mundo. Temos o jovem casal apaixonado, que divide uma fatia de bolo de cenoura, o grupo de amigos barulhento, o solitário que se faz acompanhar de um livro, as amigas de meia-idade que se encontram para um chá e os viajantes que trocam dicas de roteiros.

Mas um casal em particular chamou imediatamente a minha atenção quando entrou. Ele europeu, ela asiática, os dois lindos. Tenho esta mania de apreciar um casal como um todo. Simplesmente há pessoas que ficam bem juntas, cujo tipo de beleza se complementa e harmoniza.
Adiante, os dois sentaram-se perto de mim e, uma hora depois, ainda não tinham trocado uma palavra. Ele disfarçava o incómodo agarrado ao computador, olhando para ela de soslaio a cada cinco minutos. Ela, de costas voltadas para ele, estava frente a frente comigo. De vez em quando, via-a limpar disfarçadamente uma lágrima no canto do olho. Olhei para ela várias vezes, numa tentativa de conforto. Até que decidi sorrir abertamente. Ela, surpreendida, sorriu de volta mas com uma expressão ainda mais triste. Instintivamente, encolhi os ombros e lancei-lhe um olhar de cumplicidade feminina que tenho a certeza que ela compreendeu: “Vá lá, de certeza que o que ele fez é tão grave que não o podes perdoar?”. Ela sorriu-me, olhou para ele e ensaiou um sorriso. Ele disse alguma coisa e os dois levantaram-se e saíram do café de mãos dadas, presumo que para conversarem num local mais reservado.
Já lá fora, ela olhou novamente para mim, sorriu e disse adeus. Às vezes não é errado metermos o nariz onde não somos chamados, às vezes tudo o que alguém precisa é de um empurrão de uma desconhecida.

2 comentários:

  1. Even with google translate I got the feeling.
    So easy to be emphatic, yet so hard sometimes..

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  2. precisa-se desse amor que sentes pelas pessoa

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